Go! Go! Power Ranger!


Power Rangers é uma franquia que já nasceu surpreendendo. Quando foi lançada em 1993, o próprio criador, o produtor Haim Saban, não sabia o que esperar quando comprou os direitos de uma série sentai (franquia japonesa a qual pertencem séries como Changeman e Flashman) chamada Zyuranger, e obedecendo à uma necessidade mercadológica, trocou o elenco oriental por adolescentes americanos, com  cenas filmadas com um apertado orçamento.

A série fez um sucesso inesperado e explosivo, rendendo mais temporadas. De fato, está em sua 24°temporada, lançada este ano, rendeu bilhões para Saban e para a Toei Company, braço oriental da produção. Ganharam dois filmes para cinema, jogos de videogame, muitos brinquedos colecionáveis. Agora, uma nova versão chega aos cinemas, em forma de reboot recontando a origem da equipe. E o público é pego de surpresa novamente.

Tentarei não dar spoilers, mas podemos dizer como a grande sacada deste novo filme é dar profundidade a cada um dos personagens da série. Você entenderá não apenas quem é Zordon, Rita Repulsa, mas quem são estes cinco jovens escolhidos para salvar a cidade de Alameda dos Anjos. O filme, sem dúvida, conseguiu fazer com maestria o que ao menos a série original nunca fez: fazer com que você tenha empatia com os personagens.

Lá pelos idos dos anos 90, a série forçava muito a barra com estereótipos. Todos os cinco adolescentes eram estudiosos, esportistas, talentosos… Não havia quase nada com que você se identificasse com estes heróis. Fora o esterótipo do Ranger Negro ser um rapaz negro e a asiática ser a Ranger Amarela. Ou Billy, o azul, ser o nerd representado da forma mais clichê possível.

Esqueçam. Aqui, o que todos os adolescentes têm em comum é a tentativa de tocar suas vidas, mesmo com todos os problemas que possuem. De fato, a maioria deles cumpre detenção na escola em que todos eles estudam. Uma grande referência é o Clube dos Cinco, de John Hughes, que mostrou como pessoas aparentemente sem nada em comum podem nutrir uma amizade verdadeira e descobrir seu caminho juntos.

Esta também é a grande mensagem do novo filme dos Rangers. Não importa suas limitações, seus medos, ou os erros que cometeu. Sempre há tempo para recomeçar e, se o seu coração está no lugar certo, você tem o que precisa para ser um herói.

Destaque também para o roteiro mostrar uma relação diferente entre Zordon e os cinco heróis. Há mais do que simplesmente um mentor guiando novos guardiões. Trata-se de uma relação que vai evoluindo aos poucos, até chegar a um caminho mais familiar para o público. E Rita Repulsa, interpretada por Elizabeth Banks, é uma grande surpresa, uma releitura mais agressiva e sádica da engraçada vilã da série original.

Mas falemos da parte da ação. Muita gente reclama que ela demora um pouco a acontecer, mas digo que ela surge na medida em que a coerência do roteiro pede. Você percebe que a ação não é forçada, mas evolui ao longo da história. Muito se falou também do visual dos personagens, e muitos o criticaram por parecer uma cópia de Homem de Ferro. Acho uma comparação injusta, pessoalmente. As armaduras estão ali por uma razão.

Pensem bem: Se você ganha uma roupa alienígena de batalha, não faz sentido que ela proteja bem o seu corpo? Lembra daquela roupa daquele tosco (e querido) filme dos Rangers de 1995? Pois é, e tome enchimentos e músculos na roupa. É praticamente o mesmo conceito usado agora, com mais CG, é claro. Mas a idéia é uma armadura de batalha, e acredite, quando a pancadaria começa, isso passa despercebido.

E o que dizer de fanservice? Está lá, sutilmente, na maioria das vezes na linha dos diálogos e quem acompanha a franquia vai perceber bem rápido os easter eggs. E sim, a música-tema rola em um momento que fará o fã de 1993 dentro de você urrar e bater palmas no cinema. Pelo menos, na minha sessão foi assim. E falando em cenas para aplaudir, destaco duas participações especiais que vão emocionar o fã.

Em resumo, o diretor Dean Israelite (do pouco visto Projeto Almanaque) consegue a façanha de entregar um grande filme, misturando elementos clássicos da franquia com uma roupagem profunda e digna, humana. Mais do que nunca, Jason, Kimberly, Billy, Trini e Zack entram no coração do público, nos dando mais curiosidade de ver as já prometidas continuações. Pelo menos, cinco estão nos planos dos produtores.

E claro: obedecendo à moda de Hollywood, espere para ver a cena pós-créditos. Mais do que nunca, é hora de morfar.

 

 

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Sérgio “Mentorbreak” Fiore é revisor do Nós Nerds, porém não deixou sua paixão por blog e não conseguiu ficar longe das postagens.