Mercado de Games, Passado, Presente e Futuro


Nós, aqui do Nós Nerds, costumamos olhar os nossos consoles com um amor e um carinho que algumas pessoas só dispensariam a algo de muito valor afetivo, um animal de estimação, uma obra de arte ou para os mais exagerados, um parente distante, aqueles que vem para a festa, comem, dormem na sua casa e no dia seguinte, ainda falam mal de você (ainda bem que não tenho nenhum assim). É certo, que mesmo que tratássemos nossos consoles apenas como um hobby ou passatempo, seria uma das partes de nossa vida que está em constante transformação, principalmente se você já passou por mais de 25 primaveras.

O Passado

Estas transformações, no mercado e propriamente dita nos consoles, sempre foram impactantes nas nossas vidas, fora dos games. Muitas pessoas, falando como profissional, às vezes me perguntavam qual a melhor configuração para comprar um (micro)computador, isso desde a época em que ainda chamavam de “micro”. Minha resposta, sempre foi curta e direta: Um micro gamer! Sim, uma das molas mestre do mercado de tecnologia foi, é e sempre será o mercado de jogos. E as grandes mudanças podem ter sido impulsionadas por essa necessidade de se divertir com uma parte importante do mundo, a parte tecnológica.

Um micro gamer já teve essa aparência.

Vou tentar dar alguns exemplos, posso estar totalmente errado, mas é uma opinião e não um levantamento histórico.

Os primeiros vídeo games, foram criados em laboratórios por alguns Nerds, que queriam se divertir com seus computadores, alguns desses eram enormes e nem dava pra ter em casa, estou falando no contexto geral, não apenas em consoles. Pong, Tetris, basicamente tiveram origem em máquinas não dedicadas para o jogo. Com o tempo, os computadores vieram entrando lentamente em cada casa no mundo, alguns para trabalho, outros para estudo, mas em todos eles, isso é quase uma adivinhação, tinha um jogo ali por perto, pronto pra rodar no momento de relaxamento. Com o tempo e o avanço da tecnologia, os jogos passaram a fazer parte dos sistemas gráficos do seu computador caseiro, que hoje chamamos de sistema operacional (na raíz, do termo, não é) com os WIndows e Linuxs da vida.

Com isso, o mercado de tecnologia descobriu que poderia alavancar vendas com diversão, um pouco antes disso. Os computadores gamers, viraram grandes consumidores de memória, armazenamento e placas de vídeo, se você é bem novo, talvez nem saiba o quanto já estou de saco cheio em ouvir: Resolução maior e melhor… Sim a cada seis meses, modelos novos de placas de vídeo são lançados e dá-lhe de faturar milhões com intermináveis upgrades, para rodar o último lançamento do jogo predileto.

Em 27 anos, dezoito modelos de placa de vídeo, só de um fabricante.

No meio dessa revolução da indústria de informação, quase em paralelo ao desenvolvimento e crescimento do mercado de computadores domésticos, entram os consoles de vídeo games, vieram pra ocupar um lugar na sala, integrar a família e divertir as crianças. Sim, eram mercados paralelos e em até certo ponto chegaram a disputar a compra nas casas, claro que fora da Terra Brasilis, onde tudo sempre foi mais caro e complicado.

Daí chegamos na disputa do mercado de consoles, quem evoluí mais rápido e consegue ter a melhor fatia do mercado, sim não é uma disputa por qualidade e amor da comunidade, eles disputam sua GRANA! E nessa disputa, vale lembrar que os consoles vieram evoluindo, sem fazer muito apelo de mudanças, no que chamarei de “Tecnologia do Lar”, bastava ter uma TV e como diz o “crush” de 80% das meninas gamers, let’s bora jogar!

O Presente

Mas esse quadro de “Tecnologia do Lar” ser opcional para jogar nos consoles, foi mudando. Deixo claro que os computadores, passaram por mudanças e também fizeram com que fossemos “forçados” a mudar as coisas em casa. Uma das mudanças que mais nos afetou foi a ben(mal)dita Internet, os computadores chegaram com um papo de BBS, email e depois foi aumentando as possibilidades com a tal de World Wide Web, sim, esse tal www que muitos nem digitam mais no endereço do site.

A internet fez com que fossemos capazes de baixar conteúdo para os jogos, alguns oficiais, outros nem tanto. Baixei 4 carros para o Need for Speed em 1998, Esses DLCs foram de graça, EA já ditava mudanças, também em 1998, editei alguns arquivos do Rainbow Six e tinha uma série de armas mais potentes, silenciosas e poderosas, imagina atirar com uma minigun com munição explosiva.

Lister Storm, um dos quatro carros disponíveis para download no NFS III

Os consoles estavam arranhando este mercado com o Dreamcast, com conexão à internet. Mas na geração posterior, vieram as mudanças, conexão integral nos games, jogo em multiplayer e dowloads de patchs, DLCs e conteúdos extras, como papel de parede, trilhas sonoras e artes conceituais.

A internet precisava ficar melhor, para atender a demanda de dados, hoje você quer ver trailers, previews e reviews de cada lançamento de jogo, mesmo que nem tenha o console ou nunca vá jogar. Você precisa entrar nos fóruns e postar sua opinião. Trocar informações e descobrir como passar de fase. ligar o console e reunir os amigo para conversar enquanto joga. As vezes você faz tudo isso ao mesmo tempo! Haja banda larga! E lá vai você, avançando para patamares superiores em “Tecnologia do Lar”. Banda larga, 3G, 4G, fibra ótica e combos de todos os estilos, busco sempre um bom custo/benefício, mas é complicado achar a medida certa!

Diferença em tempo de download em diferentes velocidades de internet.

A última empurrada que levamos do mercado é o 4K, tá certo que é um mercado, eu disse lá em cima, que sempre buscou melhores imagens para seus produtos, quanto mais realista melhor, mas tem horas que você se vê empurrado para uma tecnologia que nunca tinha imaginado na sua vida, até que ela se torne tão comum que nem perceba, se você está lendo em um smatphone ou tablet é com você que estou falando.

O Futuro

Aqui no limiar entre o hoje e o amanhã, vemos mais uma mudança que se consolida no mercado de games. O “Streamer”, alguns anos atrás podia ser nome de raça alienígena. É verdade que existem serviços de streamers a bem mais tempo, mas a consolidação que falo é sobre os games. A tentativa da PSN Now, deu de frente com um problema mundial, a desigualdade. Ou os caras no Japão são muito inocentes ou eles só pensam neles, já que eles tem uma das mais rápidas internets do mundo. Chega a ser o dobro de velocidade de alguns países da EUROPA!

E o modelo da Sony, aposta em jogar como se você estivesse assistindo um filme no Netflix, se está conectado, tem filme. Se cair, diminuir a velocidade ou sofrer um traffic shaping (que é ilegal), lá se vai totalmente seu filme ou fica toda hora travando. Agora imagina isso com um tráfego de dados de ida e volta. Se na sua casa é ruim de ver Netflix, por causa da taxa de download, imagina com o upload dos dados do jogo, posição, disparos, contatos com o cenário e muitos outro pequenos dados que nem nos preocupamos, como a direção em que olhamos no jogo, que são constantemente enviados ao servidor do PSN Now. Levando em conta que a maioria dos serviços oferece uma taxa de upload entre 10% e 20% da velocidade de download (Brasil), fica inviável jogar assim.

O modelo da Microsoft, Xbox Game Pass, aposta no download do jogo e em um mecanismo de verificação da assinatura do serviço, enquanto paga você pode jogar os jogos na sua máquina, se não pagar, fica sem jogar e ganha uma superocupação de espaço no seu armazenamento. Uma boa ideia, velando em consideração a internet no mundo todo. Coisa que a Microsoft conhece bem, pois sempre manteve servidores e serviços desde o início da internet.

A mudança nesse momento é como você compra seus jogos, antes a maioria das pessoas ia em uma loja e comprava sua caixinha com um jogo dentro. Agora em alguns lugares do mundo, você sai da loja com um cupom fiscal com o código do jogo. Sem falar que pode comprar em casa mesmo, direto no seu console. Ainda escuto: prefiro ter a caixinha na estante, é meu e não vão tirar de mim.

Uma rápida avaliação de caso, quantos anos vai durar a mídia e quantos anos pode durar um arquivo em qualquer servidor no mundo? E mais, se você ainda compra/aluga DVDs e Blu-Rays para ver um filme só uma ou duas vezes e não usa Netflix, ok, falou, tá legal. Continue comprando jogos em mídias físicas. Mas se você assina serviços de streamer para filmes, por quê você não pode fazer com jogos. Além do mais, daqui a dez anos você vai querer jogar um jogo de 2018?

Outras novidades que estão impulsionando os games, ainda precisam se fortalecer no presente para crescer no futuro. A realidade virtual e/ou aumentada é uma delas. Eu gosto e tenho coro no Nós Nerds, essas são tecnologias que podem mudar como jogamos e até mesmo como nos comunicamos, porém existe a parcela Hardcore dos gamers, que não levantam a bunda da cadeira, nem pra lavar a mão depois de comer três fatias de pizza de quatro queijos e tacam a mão no controle dos games.

Headset de VR (Realidade Virtual)

Mas uma coisa é certa, mercado é muito mais o que vai gerar lucro do que o que você quer fazer. Sempre existirão descontentes com uma ou outra novidade. Mas os homens de preto (camisetas pretas) do marketing sempre farão você descobrir uma necessidade de ter um produto que eles querem vender. Afinal, é superlegal ter um aparelho com capacidade para umas dezenas de aplicações diferentes no bolso e só usar pra mandar bom dia pra família com um gif animado!

Como eu costumo dizer: É um admirável mundo novo que está começando hoje e sempre vai se transformar!

 

 

 

Logo Curti

Se você gostou deste post não deixe de registrar sua participação através de dicas, sugestões, críticas e/ou dúvidas. Aproveitem para assinar o Blog e o canal do Youtube, e participem do nosso grupo do Facebook para acompanhar nossas publicações e ficar por dentro das notícias do mundo gamer, concursos e promoções!

Eduardo “Sgt Rock 1967” Rocha é o idealizador do Nós Nerds! Técnico em informática e gamer inveterado e veterano.