Rejogando um Clássico


Quando anunciado, Tomb Raider levantou uma certa questão na época e a Crystal Dynamics deixou a conversa fluir antes de dar seu parecer. Será que Tomb Raider, uma franquia consagrada, que já vendeu milhões, disponível para inúmeras plataformas, teria uma continuação? A resposta da produtora veio após um certo tempo e levantou ainda mais discussões. O game seria um “reboot”. Tomb Raider teria um novo início de franquia, um recomeço na sua história, podendo ocorrer aquela “repaginada” no personagem mas lógico, respeitando alguns detalhes que são cruciais a essa franquia.

Essa informação distorceu a comunidade e muitos fizeram vista grossa ao game. Para muitos, uma afronta, para outros uma esperança, haja vista que a franquia já havia passado por altos e baixos… e pra ser sincero, mais baixos que altos. Como seria “reinventar” Lara Croft? Uma legião de fãs a considera até hoje, musa dos games. A “girl power”. “Femme Fatale”.

Até que ponto a história da franquia seria respeitada? Até onde a produtora teria peito pra ousar? “Uma sobrevivente nasceu”, era o slogan, fortemente usado na época. Houveram vídeos, houveram textos, entrevistas com produtores, designers e até mesmo a atriz Camilla Luddington, que fez toda a captura de movimentos de Lara Croft, foi surrada de câmeras e entrevistas. Havia muito interesse sobre o caminho da franquia e também pudera, os recentes resultados não eram satisfatórios. A surpresa de um “reboot” pegou muitos de surpresa. A expectativa seria alcançada? Ou seria só mais um “caça-níquel” carregando o pesado fardo do nome “Tomb Raider”?

Pois bem, é por esse motivo que resolvi escrever sobre esse game. Recentemente eu rejoguei esse game, graças ao programa “Games With Gold” existente no Xbox. No mês de setembro do ano de 2015 deram Tomb Raider Definitive Edition gratuitamente aos usuários, mas somente agora pude jogar ele com tempo. Eu já havia jogado em seu lançamento, no 360. Inclusive fiz mil pontos de gamerscore dele, na época.

A versão “definitiva” tem algumas perfumarias, como skins, armas…. a maioria dos mimos são para o modo multiplayer. Infelizmente, dado o tempo de lançamento desse game, o multiplayer encontra-se extremamente vazio. Vazio, porém funcional. Se você tiver amigos pra jogar, o game é estável e gera boas partidas.

Como eu já havia jogado e sabia a história toda do game, eu pude reparar em outros detalhes. Ler os documentos encontrados, explorar bonitas paisagens, presenciar bugs leves… ver o game por outro prisma. Eu preciso concordar que a Crystal Dynamics entregou um ótimo game, o slogan de lançamento foi fielmente respeitado. Você começa com uma personagem fraca, medrosa, cheia de incertezas e armada de sua crença inabalável. Ela não confiava nem em si própria. Mas, assim como Roth (personagem do game e amigo da família Croft) lhe dizia “Você é uma Croft, você só precisa acreditar nisso”, Lara precisava acreditar mais em seus instintos, coisa que Roth insistentemente lhe dizia ser herança de seu falecido pai.

O que vemos nesse reboot é exatamente a construção do personagem “Lara Croft”, a mulher destemida e imbatível. Em poucos minutos de game, você se vê obrigado a caçar para sobreviver. Interessante que ela sente pena em matar animais, mesmo que seja pra saciar sua fome. Outro ponto de forte construção de personagem é quando ela mata o primeiro inimigo, quase que acidentalmente mas, em um ponto onde ela não tinha escolha. Era matar ou morrer. Ela treme. Ela chora. Ela se vê passiva de controlar seus sentimentos… mas o local é cercado e inúmeros outros inimigos aparecem. Outro ponto de construção, esse já mais pro fim do game, se dá no fator “liderança”. Ela assume todos os riscos possíveis para tirar seus amigos da ilha, mesmo que ainda ela não acredite 100% em tudo o que está rolando na ilha. Você percebe que ela “acredita desacreditando”.

O game tem várias partes scriptadas e algumas onde o gameplay não lhe oferece opção. Por mais que você tente resolver alguma situações de forma óbvia, o game te força a resolver da forma como ele premeditou… mas é válido dizer que, todo o alvoroço criado, todo o marketing (pesado) feito, todas as dúvidas acerca da “nova” Lara Croft, foram sanadas com um excelente reboot. Os pontos-chave foram respeitados e um novo ponto de partida para a franquia foi criado. A resposta dos fãs não poderia ser melhor: Durante a E3 de 2011 recebeu 71 nomeações e ganhou 21 prêmios. “Tomb Raider” também recebeu 3 nomeações para o prestigiado prêmio E3 Game Critics Award, incluindo: ‘Melhor do Evento’, ‘Melhor Jogo para Console’ e ‘Melhor Jogo de Ação/Aventura’. De acordo com a Square Enix, em Abril de 2014 as vendas do jogo já tinham ultrapassado as 8,5 milhões de cópias vendidas, no conjunto das seis plataformas que foi lançado, fazendo de Tomb Raider o jogo mais vendido de sempre da série.

O desafio agora é separar mais tempo pra jogar “Rise Of The Tomb Raider”.

 

 

Logo Curti

Se você gostou deste post não deixe de registrar sua participação através de dicas, sugestões, críticas e/ou dúvidas. Aproveitem para assinar o Blog e o canal do Youtube, e participem do nosso grupo do Facebook para acompanhar nossas publicações e ficar por dentro das notícias do mundo gamer, concursos e promoções!

Marcelo “Vingador Brambz” Brambilla é Gamer de Corridas, amante de carros e velocidade não perde a oportunidade de fazer um racha com a galera. Autor do Nós Nerds e colaborador ativo no Xbox Mil Grau.