Sniper Elite 4 – Análise Completa


O Nós Nerds acredita que todo jogo tem seu público. Por isso, quando falamos de um jogo, gostamos de analisar ele de forma bem completa, contando os pontos positivos, negativos e algumas opiniões pessoais no meio para você decidir se ele é para você. Desta vez, fizemos a análise completa do Sniper Elite 4. Levou mais de um mês para terminar o jogo e escrever essa matéria, mas acho que não deixamos nada de fora. Fique tranqüilo, aqui não tem nenhum spoiler!

 

O que é?

Sniper Elite 4 é um jogo de tiro em terceira pessoa, desenvolvido pela Rebellion com foco em furtividade (stealth) e estratégia, mas sem deixar de lado muitos tiros e explosões. As fases são quase um mundo aberto, o que permite que você decida como irá abordar cada missão.

Se você acha Hitman muito parado e se acha que GTA tem muito tiro e explosão, esse jogo é o equilíbrio ideal entre os dois. Não dá para sair atirando e matando todo mundo, mas você também não vai passar nenhuma fase sem matar ninguém. Mesmo tendo foco em stealth, assassinar os inimigos é uma parte muito importante (sem falar divertida e satisfatória) do jogo.

Ele está disponível desde 14 de fevereiro de 2017 para Xbox One, PS4 e PC. A nossa análise foi feita na versão de Xbox One, na dificuldade normal, com mais de 30 horas de gameplay entre campanha e modos multiplayer.

Se quiser, você pode ver vários trechos do jogo abaixo compilados nesse vídeo de 25 minutos. Mas se prepare para imagens fortes, explosões e muitas killcams!

 

 

Qual a história?

Assim como nos três jogos anteriores, você está na pele do atirador de elite americano Karl Fairburne. Todos os jogos se passam durante a Segunda Guerra Mundial e você sempre está jogando do lado dos aliados combatendo os nazistas. Dessa vez suas missões se passam na Itália em 1943, já mais próximo do fim da guerra. Apesar de haver alguns fatos históricos verdadeiros, eles são apenas o pano de fundo e bem romanceados. A maioria dos personagens e acontecimentos é inventada e a história é bem genérica. Até tem alguns aspectos interessantes na narrativa, como o desenvolvimento de armas bélicas modernas, mas é só uma desculpa para seu personagem sair metendo bala nos nazistas.

 

Não joguei os anteriores. Isso é um problema?

De jeito nenhum! Apesar de o personagem principal ser o mesmo e esse jogo continuar de onde o anterior terminou, a ligação entre eles termina por aí. Você não vai perder nada da história se nunca tiver tocado nos jogos anteriores. Se você gostou de algum jogo da série, com certeza vai gostar de todos!

 

Como é a campanha?

A campanha se desenrola ao longo de oito fases. Cada um dos cenários é bem diferente do outro, variando entre docas, vilas, bases alemãs e montanhas, sendo que algumas delas se passam de dia e outras de noite. Antes de começar cada missão, há um pequeno cenário onde você conversa com outros personagens que vão te passando tanto as ordens do objetivo principal quanto as missões secundárias da fase. É algo bem interessante para dar o briefing e bem mais divertido do que ficar lendo textos. Mas se você cansar, nada de impede de ir logo para a fase, pois os objetivos aparecerão no seu mapa de qualquer jeito.

Cada fase é um mundo aberto, o que te dá uma liberdade muito grande de escolher a sequência que você quer completar cada objetivo. Na maioria das fases, mesmo após completar a missão principal, você ainda pode fazer os objetivos secundários ou simplesmente ir para a próxima fase de uma maneira bem natural.

Após completar a fase, você pode jogá-la novamente para tentar completar o que ficou para trás.

 

Como é a jogabilidade?

Muito boa! Os controles são bem responsivos e rapidamente você estará dominando eles. As trocas de armas e itens são bem intuitivas, utilizando a já conhecida “roda de seleção”, além de ter atalhos no analógico. O sistema de cobertura (cover) funciona muito bem. A visão pela luneta do sniper e o auxílio de mira são tão bons quanto dos jogos anteriores. Os menus de navegação e de estatísticas de armas são bem claros e fáceis de entender.

A única coisa que me incomodou demais foi o sistema de pegar armas de inimigos abatidos ou disponíveis no cenário. Apesar de a troca ser feita segurando um botão, o jogo não sinaliza de forma intuitiva que a arma foi trocada e se você mantiver pressionado, ele troca de novo e pega a arma que você estava segurando antes.

 

Que armas dão para usar?

Você começa sempre com um rifle de precisão (sniper rifle), uma pistola e uma metralhadora. Dentre elas, você tem vários modelos diferentes para escolher, cada um com estatísticas diferentes, tais como taxa de tiro, alcance, precisão, velocidade de recarga e tudo aquilo mais que já estamos acostumados. Você pode liberar outros modelos de armas usando “dinheiro” que você ganha no jogo ou completando missões e tarefas. Além disso, cada arma possui um sistema de evolução. Completando certos objetivos diferentes para cada uma, como por exemplo, acertar 50 tiros no pulmão, você desbloqueia uma melhoria nas qualidades da arma. Essas estatísticas realmente fazem a diferença, por isso, escolha o que mais se adéqua ao seu estilo e invista!

Além disso, você ainda vai andar por ai com minas terrestres, granadas, explosivos, tudo isso para gerar o caos e criar armadilhas. Cada um desses itens tem um modo secundário de uso. O rifle e a pistola, por exemplo, possuem tiros silenciados para ataques sem chamar a atenção dos inimigos. A granada tem a opção de grudar no alvo e os explosivos podem ser acionados por tiro ou temporizados. Aprenda cada um deles e teste cada função para tirar maior proveito do jogo.

 

Tem itens para serem coletados?

Sim, até demais! Se você é daqueles que gosta de explorar o cenário atrás de itens escondidos, esse jogo é para você. Cada missão tem dezenas de cartas a serem coletadas e documentos secretos a serem encontrados. Alguns estão soltos no cenário, outros você só encontra revistando os corpos dos cadáveres. Ou seja, para achar tudo, você precisará matar praticamente todo mundo.

Além disso, cada fase tem umas estátuas de águia feitas de pedra que você precisa mandar bala para completar o objetivo secundário. Na primeira fase é até mais fácil de acha-las, mas depois, boa sorte tentando encontrá-las. Você precisará ficar muito atento em cada cantinho do cenário.

 

O que é a killcam?

É a marca registrada da série e uma das funções mais divertidas do jogo. É uma câmera lenta em raio-X que mostra em detalhes o que acontece com o corpo do alemão que você acabou de matar, seja com o rifle sniper, uma mina terrestre, explodindo um barril vermelho próximo a ele, derrubando destroços na cabeça do soldado, destruindo um tanque ou um caminhão. Ela só não funciona para mortes com a pistola ou metralhadora. Chega a lembrar as finalizações de Mortal Kombat, mas bem mais realistas e gráficas. Se não gostar, você pode pular a cena ou no menu de opções você pode definir a intensidade que ela aparece, chegando até a agilizar a animação ou desabilitá-las por completo. Mas posso dizer depois de jogar umas 30 horas que ela realmente não cansa. Não tem alegria maior nesse jogo do que ver aquela bala voando centenas de metros e depois você aproveitando o estrago que ela fez no seu inimigo.

 

O que mais dá para fazer nas missões?

MUITA COISA! Como o jogo é estilo muito aberto dentro da fase, cada objetivo pode ser abordado de uma forma diferente. Existem várias rotas a serem tomadas e pontos de entrada no cenário. Você pode montar armadilhas e atrair os inimigos até elas, juntar um monte deles num lugar e explodir um tanque de combustível próximo a eles, ser mais furtivo usando um rifle ou pistola silenciados, abafar o som dos seus tiros com barulho do ambiente ou escalar um muro chegando de fininho por trás dos alemães e assassiná-los com sua faca. Se preferir, pode tentar sair explodindo tudo, atirando em todo mundo e dando porrada e facadas a torto e a direito. Isso também funciona, mas dá mais trabalho, além de tirar boa parte da graça.

 

Como são os gráficos?

São bons, nada de maravilhoso. O destaque vai para a água e alguns detalhes do céu. Esses sim são bem trabalhados. Já os cenários, apesar de muito variados, são meio genéricos e fica um pouco repetitivo, principalmente a vegetação. É uma ótima melhoria do jogo anterior e não fica devendo nada para outros títulos semelhantes.

 

Como são os personagens?

Genéricos. Apesar de ter uns três ou quatro personagens secundários que te acompanham ao longo do jogo, entre eles uma italiana líder da resistência e um soldado americano que fica te passando missões, nenhum deles cativa muito. Nem mesmo o personagem principal chega a emocionar. As dublagens tanto em inglês quanto em português estão boas, mas não são nada demais. A dublagem dos NPCs alemães foi o que mais me chamou a atenção. A pronúncia está perfeita e sem sotaque. Os soldados estão sempre falando da família, comentando sobre a guerra, o local onde estão ou algo que está acontecendo naquele momento do jogo. Foram os diálogos que mais me prenderam. Infelizmente não tem legenda, mas está aí uma boa oportunidade para você aprender alemão!

O grande destaque do jogo é o gameplay. Não espere uma história ou narrativa muito elaborada ou marcante.

 

Como é a inteligência artificial do jogo?

É boa. Na dificuldade normal ela apresenta um desafio bem interessante, sem estressar um jogador mais experiente. Ela visa te obrigar a analisar o cenário e pensar antes de agir, sem dar muita margem para erro. Nas dificuldades maiores, os inimigos ficam muito mais espertos e sensíveis a ruídos e localizam você com muito mais facilidade. Joguei um pouco e realmente fica muito complicado.

O que incomoda um pouco, mas creio ser necessário para que o jogo funcione é que os inimigos parecem meio “setorizados”. Se você alertar um grupo e matar um monte de gente, explodindo tudo e espalhando o caos, apesar de haver outro grupo de inimigos algumas centenas de metros dali que no mundo real com certeza teria percebido algo, essas pessoas seguem a vida delas como se nada tivesse acontecido. Outra coisa é que, após você ser detectado, se ficar quieto ou escondido por um tempo, ninguém mais “lembra” o que aconteceu. Mas como eu disse isso não é exclusivo desse jogo e parece muito mais algo desenhado para tornar o jogo possível. Senão, uma vez detectado, a fase inteira ficaria atrás de você e isso com certeza tornaria o jogo absurdamente difícil.

 

Tem DLC?

Tem e é uma das melhores partes do jogo. Para quem comprou a mídia física, o DLC com a missão Führer foi incluída sem custo adicional pela Sony Music do Brasil. Se você comprou a versão digital, pode adquirí-lo nas lojas online. O DLC é uma missão adicional, tão grande quanto às do jogo, na qual você precisa matar ninguém menos que Adolf Hitler. O cenário é uma base secreta de submarinos e é de longe, o cenário que mais exigirá da sua furtividade.

Achou pouco? A fase tem pelo menos sete maneiras diferentes de você acabar com ele, desde um simples tiro no testículo até derrubando um submarino em cima dele. Algumas delas estão gravadas no vídeo aqui logo abaixo.

Esse é um daqueles DLCs que valem muito a pena serem jogados.

 

 

Tem modo multiplayer cooperativo?

Sim, é um dos destaques do jogo, tornando ele extremamente mais divertido. Você pode jogar a campanha inteira com outro jogador no modo coop. Isso muda completamente a forma com que você aborda os alvos e completa as missões. Vocês podem juntos acabar com os inimigos ou se separar para cada um ir completando partes.

Existe também o modo “Observador”. Você e outro jogador são colocados em um mapa com um objetivo comum, mas vocês estão separados por uma barreira física intransponível. Um dos jogadores fica mais longe da ação com a sniper, sendo que o outro fica bem próximo dos inimigos somente com a pistola e a metralhadora. O trabalho em equipe é essencial para o sucesso da missão. Pena que não há muitos mapas, pois esse modo é realmente muito divertido.

Finalizando, há o modo “Sobrevivência”, muito parecido com o modo horda de Gears of War. São 12 ondas de inimigos, nas quais você e outros três jogadores precisam sobreviver e proteger um rádio. Todas as armas e armadilhas estão disponíveis, por isso, estude o mapa e veja os melhores lugares para fazer emboscadas. É nesse modo que você encontrará a maioria dos jogadores online.

 

Tem modo multiplayer competitivo?

Sim, mas são bem dispensáveis. Um dos modos é um tipo de King of the Hill, onde você precisa controlar um rádio. Depois existe um mata-mata individual e outro em equipe, além de um mata-mata em equipe onde os times estão divididos por uma barreira física. Ou seja, não é possível montar armadilhas nem combater corpo a corpo. Aqui o que manda mesmo é ser bom de tiro e saber se esconder. Os modos mata-mata ainda têm variações onde em um o que vale é a quantidade de mortes e no outro, a soma da distancia das mortes. Ou seja, acertar um tiro de longe vale muito mais que uma facada nas costas. Isso até é interessante, pois estimula você a jogar como um sniper mesmo.

Tentei jogar algumas vezes. Encontrei poucas pessoas online e a coisa se torna um pouco chata, pois muitas vezes os adversários acertavam um ou dois tiros e passavam o resto da partida se escondendo para o tempo acabar.

Se você tem amigos que também joguem, recomendo ficar nos modos cooperativos.

 

Tem problemas técnicos?

Óbvio! Todo jogo tem, até mesmo o seu favorito (mesmo que você não admita), mas eles não chegam a incomodar em Sniper Elite 4. No geral, a jogabilidade e movimentação do personagem são muito boas. Tirando o problema da troca de armas que comentei antes, só enfrentei um pequeno glitch numa missão secundária, na qual eu deveria liberar uma área para concluí-la. Matei todo mundo, mas a missão não foi concluída. Joguei novamente a fase e concluí o objetivo, mas a conquista respectiva continuou bloqueada.

O único problema sério que preciso mencionar é a localização do jogo em português. Não na dublagem, mas nos textos. Há vários erros de gramática e concordância. Por exemplo, quando você mata um inimigo, sempre aparece na tela o tipo de inimigo. Ao invés de falar “morte de infantaria”, o texto que aparece é “morte por infantaria”. Não chega a ser nada que comprometa a compreensão do jogo, mas sabendo-se que a localização foi feita pela própria Rebellion, era de se esperar que não tivesse esse tipo de erro primário.

 

Última dica!

Se prepare para salvar muito! Qualquer erro pode acabar com sua estratégia e se você é, assim como eu, um cara minucioso que quer completar a missão quase sem ser detectado, você vai precisar salvar e carregar muito o jogo!

 

Você já jogou Sniper Elite 4? O que achou dele? Chegou a jogar o DLC e os modos multiplayer? Se ainda não jogou, gostou desse review? Pretende jogar depois de ler? Me procure na Live para jogarmos juntos, me manda uma mensagem no Twitter ou nos comentários e vamos falar mais sobre isso.

 

 

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Christian “Chrizeba” Bernauer é colaborador do Nós Nerds, gamer de coração, geek em tempo integral e pai entusiasmado.