12 de junho de 2024
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EscritosGames e Tech

Hellblade O Sacrifício de Senua

Nesta madrugada acabei o jogo Hellblade Senua Sacrifice. Foram praticamente duas noites acompanhando os tormentos de uma jovem nórdica, como sugere a história. Mas existem tantas coisa que não tenho certeza sobre o jogo, que este artigo será mais indagador do que uma análise, se bem que eu não gosto de “analisar” jogos, eu acredito que qualquer tipo de interação pessoal, seja música, games, filmes ou qualquer outra, são experiências pessoais, e sendo assim, trazem para cada pessoa, uma emoção diferente, uma percepção baseada em experiências de vida, uma história vista por mim, nunca será a mesma que você, que está lendo, percebeu. Da mesma forma que nós nunca atravessamos o mesmo rio duas vezes (Heráclito de Éfeso), jogar o mesmo jogo duas vezes nunca é igual.

UM AVISO: VAI TER SPOILER!

Ontem, ou melhor, hoje na madrugada (13/04) e ainda no calor das batalhas no submundo contra Hela, tive a rápida impressão de que o jogo me deixou de mostrar algumas coisas. Porém agora, quase na hora de comer, minha cabeça começou a ouvir vozes, não como a Senua ouve durante todo o jogo, e comecei a ver várias possibilidades dentro do mesmo enredo.

Na abertura do jogo vem um aviso sobre psicose, o que de cara acaba com qualquer especulação do tema do jogo. Mas vou continuar especulando, afinal, este é o “meu rio” e já não é mais o rio da Ninja Theory. Senua sofreu um trauma violento, ela se acha amaldiçoada e é atormentada por uma entidade na escuridão.

Durante o jogo, várias vozes ficam acompanhando a jovem que está indo a Hell, em busca da alma do seu amor. Um tema bem Dantesco, se me permitem o trocadilho. Baseado na mitologia nórdica, onde as pessoas que não morriam em combate iam para os domínios de Hela, filha de Loki (a Marvel deu uma adaptada aqui, antes que venham me bater), já que os guerreiros mortos em combate vão para o Valhalla ou campos de Freya. Senua segue a trilha para o submundo enfrentando inimigos cada vez mais fortes, com uma importante característica do jogo, o mal falado permadeath (morte permanente, morreu acabou o jogo), que tem sua percepção através de uma contaminação/infecção no braço direito de Senua, quando chegar a sua cabeça ela morre.

O interessante aqui é como a perda de razão pode se tornar absoluta e Senua nunca mais poder ganhar o jogo, sim se chegar na cabeça, a mente de Senua estará perdida para sempre, o que poderia se dizer que ela estaria desligada de vez da realidade, em um surto sem fim.

Captura de PauloMendess

Uma das vozes que leva Senua pelo caminho que ela faz é Druth, um trocadilho em inglês para truth (verdade). mais a frente ela é a desencorajada por Fenrir, que acaba sendo o penúltimo inimigo (boss) de peso que Senua enfrenta, outra voz é de sua mãe que em alguns momentos achei que era tão louca quanto a filha, em outros pensei que era uma feiticeira. Mas em uma cena, de grande impacto, ele foi morta na fogueira. O que cria várias possibilidades de entendimento. O executor é o pai de Senua, que ela culpa por estar separada de Dillion? Ou um inquisitor da igreja que queimava as “bruxas pagãs”? Ou mesmo Fenrir, que estava incorporado e desde lá já atormentava Senua?

Todas essas suposições são jogadas de lado pelo jogo, quando se foca na palavra “psicose”. Senua está surtada, sem noção de realidade e ouvindo vozes. A beira de um colapso total, que você acompanha “crescer” no seu braço. Mesmo assim você segue em direção de Hela, sabendo que uma Deusa não poderia ser ferida por uma mortal, mas já de posse da “Hellblade”, Gramr uma espada mítica, forjada pelo próprio Hanibal Lec… Ops, Odin (não resisti a piadinha).

Captura de PauloMendess

Depois de enfrentar Fenrir, você finalmente chega a Hell, onde não acontece o esperado embate direto com Hela, e sim a “morte de Senua”. É um momento de aceitação da perda, negada durante todo o jogo. Ela queria salvar seu amado falecido, ter ele de volta mesmo que para isso trocasse de lugar com ele, e assim também não o teria com ela. Negação é um dos estágios do luto. Mas ao perder, sim, é inevitável, a luta para os soldados de Hell e ser finalmente morta por Hela, com sua própria espada, Senua prcebe que se os Deuses morreriam pela lâmina de Gramr, nós mortais podemos e teremos o mesmo fim. A aceitação da perda faz o fechamento do jogo, com Senua, livre da sua infecção e prosseguindo sua vida, e nos convidando para acompanha-la nesta grande aventura que é a vida.

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Sgt Rock 1967

Eduardo "Sgt Rock 1967" Rocha é o idealizador do Nós Nerds! Técnico em informática e gamer inveterado e veterano.

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