24 de julho de 2024
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EscritosQuadrinhos

No Estúdio do Joe Bennett – Desenhista da Marvel

Fala Galera, fomos no estúdio de Joe Bennet, que estava produzindo uma página do Hulk, e ele estava trabalhando e trocamos uma ideia com ele, que está produzindo um desenho para a Ablegamer, que será leiloado no dia 17, fiquem espertos, e ele estava esperando sair o resultado do prêmio Eisner, que é o Oscar dos Quadrinhos, o que infelizmente não veio para o Joe. Nós viemos conversar com ele sobre a arte da Ablegamer, e já que estávamos com o artista, porque não fazer uma entrevista com ele?

Nós Nerds: Joe, como foi seu início de Carreira?

Joe Bennet: Bem, eu comecei profissionalmente aos dezessete anos, mandei meus trabalhos pra várias editoras, em 1985, e uma dessas editoras, que é capitaneada pelo Franco de Rosa, publicou meus trabalhos e foi meu início profissionalmente. Agora, como leitor e desenhista, foi aos cinco anos de idade.

Nós Nerds: Sua chegada ao mercado brasileiro foi fazendo quadrinhos, agora de qual estilo?

Joe: Em sua grande maioria terror e um pouco de erotismo, na época era o que existia no Brasil para quadrinista.

Nós Nerds: E no mercado americano?

Joe: Por estar trabalhando no mercado nacional, o Élcio de Carvalho, ele estava montando uma agência de talentos para quadrinhos americanos, viu alguns desenhos meus, achou que eu tinha potencial e perguntou ao Franco quem era o desenhista e ele falou de mim. O Élcio me ligou e perguntou se eu queria ser agenciado e eu respondi que sim. Isso foi em 1991, e comecei de fato no mercado americano em 1992.

Fiz uma história de fantasia, The Lite Fantastic, uma Graphic Novel, adaptada de um livro que é muito conhecido, do autor Terry Pratchett e foi minha entrada no mercado americano.

Nós Nerds: E qual foi a primeira das grandes editoras de quadrinhos? DC ou Marvel?

Joe: Foi a Marvel, em 1994, fiz o Ravage 2099. Em 1996, foi meu primeiro contrato para fazer o Homem-Aranha. 1996 foi a consolidação da minha carreira, com o Homem-Aranha.

Nós Nerds: Naquela época como funcionava a comunicação estúdio-artista?

Joe: Era basicamente telefone e fax, não tinha outros meios de comunicação, tudo era muito rudimentar. Quem fazia a comunicação direta com as editoras eram os meus agentes em São Paulo, porque eu não dominava o inglês. Não podia ligar para a Marvel e conversar com eles. Isso foi para toda a minha geração que hoje em dia está no mercado e que começou naquela época.

Todos, vão te contar a mesma história, a mesma experiência, pela mesma forma de comunicação, algo bastante restrito.

Nós Nerds: Como funcionava a vinda do roteiro? Vinha alguma coisa em rough draft? (esboço da página) ou vinha só o roteiro?

Joe: Não, vinha só o roteiro, como ainda é, hoje em dia. Nada mudou. Vinha só o roteiro e a partir dele, você desenvolvia todo o desenho.

Nós Nerds: Já ouvi falar de desenhistas, de roteiristas, no caso, que rabiscam a página, que fazem enquadramentos e coisas do tipo. Você nunca chegou a trabalhar para ninguém assim?

Joe: Não, e nunca vi isso, inclusive. O roteirista só escreve, no caso descreve a cena, ou muito detalhadamente, ou bem por alto. Mas desenhar algo para que o cara faça, nunca vi.

Nós Nerds: Nem um detalhezinho, um croqui?

Joe: Não, eu nunca vi isso. O que eu já vi é um roteiro muito detalhado, como o do Alan Moore, por exemplo. Trabalhei com ele, e é muito detalhado, ele pede muitas coisas, detalha tudo que ele quer, e o roteiro bem solto que é o caso do roteiro estilo Marvel, como é chamado, que é um roteiro bem solto, e te dá a liberdade de criar tudo ali, dentro de um contexto já pré-estabelecido pelo escritor.

Nós Nerds: No caso de personagens que foram criados nessa época de mudanças, ou até mesmo de mudanças de uniformes e estilo, você participou de algum deles e criou alguma coisa?

Joe: Nos anos 1990 não, só fazia aquilo que me mandavam fazer. Eu não tive uma grande participação efetiva no desenvolvimento visual de personagens nessa época.

Nós Nerds: E depois? Você já chegou a fazer capa para a Marvel?

Joe: Várias capas, tanto para a Marvel quanto para a DC.

Nós Nerds: É um processo totalmente diferente?

Joe: Não, é praticamente a mesma coisa. O editor te pede para fazer a capa, você idealiza, mostra para o editor, ele vê se é aquilo ali que foi pedido e depois está a pronta a capa, normal.

Nós Nerds: Depois da Marvel, você chegou trabalhar para a DC?

Joe: Sim, passei oito anos na DC

Nós Nerds: E na DC você trabalhou com quais personagens?

Joe: Muita coisa, Halkman, 52, Birds of Prey, muita coisa.

Nós Nerds: Chegou a trabalhar em algum personagem da tríade da DC, como eles chamam Superman, Batman e Mulher-Maravilha?

Joe: Não, não. Fiz uma história pequena para o Superman, Batman nunca fiz nada, Mulher-Maravilha também não. Trabalhei com muitos outros personagens, menores. Foi bom.

Nós Nerds: E agora voltou para a Marvel?

Joe: É, eu voltei para a Marvel em 2012. Não tenho contrato com nenhuma das duas, posso trabalhar com a editora que eu quiser. Em 2015, comecei a fazer mais frequentemente trabalhos para a Marvel, mas eram trabalhos esporádicos e pequenos, chamados “feel in”, que é tapa-buraco, chamado para uma revista que está atrasada, que o desenhista estivesse atrasando. Era chamado, fazia a revista e pronto.

E em 2017 o Tom Brevoort (editor da Marvel), perguntou se eu queria fazer o Hulk e eu falei que sim, e desde 2017, mais ou menos em setembro que estou então envolvido com o Hulk.

Nós Nerds: O cinema influenciou na tua arte? Ou foi por vontade própria ou da editora?

Joe: O cinema recente?

Nós Nerds: É, o da Marvel?

Joe: Não, o cinema recente não influenciou. Por exemplo, o meu Hulk não tem nada a ver com o do cinema. O Homem de Ferro que eu fiz para a Marvel, isso há quase um ano, visualmente sim, a armadura que fiz, é inspirada na armadura do cinema.

O universo do cinema não tem nada a ver com o universo dos quadrinhos, então, não inspira em nada. Tem alguns detalhes visuais que uso, que acho bonito. Agora, se a pergunta é mais genérica ou mais abrangente, aí sim, influencia totalmente.

Nós Nerds: Então não foi decisão da editora?

Joe: Não, foi uma decisão minha, peguei todas as minhas influências e joguei no quadrinho, tudo aquilo que já havia visto no cinema. Sempre fui um cara muito cinéfilo, gosto muito, jogo tudo isso no quadrinho do Hulk.

O Hulk é tudo que já vi: Robocop, O Enigma do Outro Mundo, Poltergeist, Bad Ass, tudo dos anos 1980, anos 1990, tudo, está tudo lá.

Nós Nerds: Então a tua influência, a nível de criação, pontos de vista, níveis de enquadramento, são cinematográficas?

Joe: São, são cinematográficas, eu procuro fazer tudo. Adoro Stanley Kubrick, sou fã dele. Então, tem muitos ângulos que o Kubrick usava e eu procuro reproduzir isso. Resumindo, cinema me influencia muito. O cinema da Marvel, de Super-Heróis, nem tanto

Nós Nerds: Então, no caso, a Marvel não fez nenhum pedido?

Joe: Não, não.

Nós Nerds: Ela mantém bem separada uma coisa da outra?

Joe: É, eles me dão liberdade de criar o que eu quiser. Tudo o que se vê no Hulk é criação minha e do escritor. Nós temos liberdade total para criar toda aquela loucura ali. Então até agora, está tudo bem.

Nós Nerds: E seus projetos pessoais, fora a Marvel? Nós fizemos uma entrevista sobre o Esquadrão Amazônia. E como anda o Esquadrão?

Joe: O esquadrão vai voltar, vou fazer uma minissérie de seis partes, recontando o que foi feito em 2016, iremos dar reboot naquilo, transformar aquela edição, que seriam duas na época, mas foi feita apenas uma. Vamos transformar aquelas duas, em seis edições. Vamos fazer uma coisa mais abrangente, em quatro línguas, e vai ser feito através do Kickstarter.

Nós Nerds: Em breve vai estar aberto?

Joe: É, em breve vai estar aberto, espero, em agosto estar no Kickstarter. Está sendo encabeçado pelo Bill Anderson, que é escritor e arte finalista, que está planejando toda essa logística, por trás de impressão, envio e tudo o mais. Em agosto começamos essa empreitada.

Nós Nerds: Dentro do mercado nacional, que sabemos que é bem mais restrito que o mercado americano, você teria alguma coisa que gostaria de fazer?

Joe: Mercado Nacional?

Nós Nerds: É

Joe: Eu gostaria de voltar a fazer terror aqui no Brasil, gosto de fazer terror. Mas acho que é só um saudosismo, não rola nem público mais para isso. Agora, um super-herói, acho que ele tem terreno fértil no Brasil. Se for bem feito, bem escrito, bem colocado, acho que funciona. Acho que seria legal, embora a cena brasileira do quadrinho seja uma coisa bem mais alternativa. Mas para pegar uma história de super-herói, alternativo, acho que funcionaria, que seria interessante.

Gostaria de tentar isso um dia também. Agora, não sei se vou ter tempo, eu estou no Hulk e depois dele não sei o que vai acontecer, talvez seja alguma outra coisa da Marvel, não sei de nada ainda, e tem o Esquadrão Amazônia, e se der certo o Esquadrão, vou continuar produzindo. Tem um outro projeto chamado Mundo Neutro, com o José, que trabalha comigo no Hulk. Esse é um projeto que nós queremos fazer também, ou seja, se tudo isso der certo.

Nós Nerds: E Marvel, DC, Imagine, ou outros personagens quaisquer… tem algum que você tem vontade de trabalhar ainda ou não tenha trabalhado?

Joe: Para a Marvel eu tenho vontade de fazer o Quarteto Fantástico, muita vontade mesmo.

Nós Nerds: A primeira família?

Joe: É, tenho muita vontade. Para a DC, tinha uma vontade inenarrável de fazer os novos deuses, New Gods, mas já está sendo feito, um trabalho fantástico, o Tom King, que é um Mister Miracle, então para mim, não tem mais o que ser feito ali, esse vai ficar bacana, e o Batman é um personagem que ainda me fascina, mas não tanto mais hoje em dia, já exorcizei o Batman da minha vida. Muita gente fazendo, então não tenho vontade de fazer mais. Na DC, tirando isso tem o Etrigan, que eu acho que ficaria interessante no meu traço.

Nós Nerds: E outra área, já te chamou para fazer alguma outra coisa? Tipo, infográfico, ou a parte da área de games chamou para fazer a arte de alguma outra coisa? Ou nunca foi questionado para isso?

Joe: Nunca fui, de games, nunca fui, minha carreira toda é feita em cima de quadrinho. E muito raramente, esporadicamente, publicidade. E é isso, nunca fui para o cinema, nem para o game, nem para infográfico, nada. Minha carreira é toda feita em cima de quadrinhos. Já são 33 anos de carreira.

Nós Nerds: Então, esse é Joe Bennett, direto do estúdio dele. Debaixo de um temporal terrível, inclusive fez um estrago aqui, quase morremos afogados (risos), e esperem o desenho quando entrar na Ablegamer. E em breve traremos mais novidades do Esquadrão Amazônia. Beleza

Joe: Valeu

Nós Nerds: Obrigado, até mais

Joe: Obrigado, até mais.

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Sgt Rock 1967

Eduardo "Sgt Rock 1967" Rocha é o idealizador do Nós Nerds! Técnico em informática e gamer inveterado e veterano.

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