12 de julho de 2024
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EscritosGames e Tech

Como Bach é Grotesco

Fala galera, como vocês estão? Neste texto vamos falar sobre um jogo que não é nenhum lançamento, mas um dos melhores survival horror da geração Xbox One/PlayStation 4. E vamos perceber como Bach é grotesco.

Trata-se do The Evil Within. Vamos conversar um pouco sobre a utilização da música de Bach pelo jogo e, dependendo das escolhas que se faça, como Bach é Grotesco.

Falaremos também sobre a utilização da música em mídias visuais no geral. Vamos entender um pouco das funções que a música tem nos jogos, filmes, séries e tudo mais.

O que Faz a Música?

  • Pode assumir inúmeras funções em uma mídia visual;
  • Pode ressaltar algum sentimento;
  • Pode dar ao ouvinte informações sobre onde a cena está se passando;
  • Pode funcionar como efeitos sonoros.
Como Bach é Grotesto
Capa The Evil Within

Portanto, para escrever música para mídia, seja jogo ou filme, o compositor sempre, ou quase sempre, começa respondendo três perguntas:

1) Para quem está voltada a empatia do ouvinte naquela cena?
2) Que emoção ou afeto o espectador deve sentir naquele momento?
3) Como a música pode ressaltar esse sentimento?

De tal forma, respondendo a essas três perguntas, o compositor já vai ter uma boa ideia de por onde suas escolhas vão caminhar. Em qualquer caso, é importante que o compositor tenha em mente que o personagem principal de uma peça musical escrita para mídia é o ouvinte ou o espectador. Logo, no caso de jogos, é quem joga.

Assim, é a consideração do diretor da obra, pelo afeto do espectador que vai guiar as escolhas criativas do compositor.

Quem era Bach e a qual a música que aparece quando se ganha controle do personagem Sebastian?

Diante disso, vamos dar uma breve analisada numa cena do The Evil Within em que foi utilizada uma música do grande gênio Johann Sebastian Bach.

Trata-se da cena que acontece assim que ganhamos o controle do personagem, Sebastian, pela primeira vez.

Como Bach é Grotesto
Johann Sebastian Bach

Nela, Sebastian está pendurado de cabeça para baixo em um açougue! No mesmo lugar, está o antagonista, o Sádico, mutilando alguns corpos, como de costume. Durante todo esse trecho, a gente pode ouvir uma música tocando, e é justamente uma peça de Bach.

Um detalhe MUITO importante é que a música é um som diegético, ou seja, o som exprime a realidade dentro do jogo, delimitada pelo diretor, uma ação dentro da narrativa da história. Em suma, os personagens é que estão ouvindo a música e, por tabela, o jogador também.

Acredito que muitos já saibam, mas Bach foi um compositor nascido onde hoje é a Alemanha (anteriormente Sacro Império Romano- Germânico), na cidade de Eisenach, em março de 1685.

Foi um dos compositores mais prolíficos que já houve, tendo escrito mais de trezentas peças para os mais diversos tipos de instrumentos e formações musicais da época. Morreu em Leipzig aos 65 anos.

Bach era luterano, e é difícil não analisar pelo menos boa parte da sua obra sem a influência da religiosidade. Sendo assim, Bach fez muita música que remetia ao engrandecimento espiritual, escreveu muito para voz e coral e muitas de suas melodias são muito conhecidas até hoje.

A peça que ouvimos no jogo é a Suíte nº3 para orquestra, mais exatamente o segundo movimento, Ária na corda Sol. Na música clássica, uma Suíte nada mais era do que uma música dançante. Normalmente executada em algum baile ou evento social da época, era o que colocava o pessoal para dançar.

Portanto, se você está num baile no século XVII e esperando a momento certo para dar em cima da paquerinha que está na festa, espere a Suíte tocar e vá ao ataque (ou cortejo, como era neste período da história).

O que Bach está fazendo em um jogo de terror?

E por que uma música tão espiritual, com uma melodia simplesmente incrível está fazendo numa cena tão horrenda?
A explicação, na minha opinião, é bem grotesca. Vamos dar uma olhada no trecho.

Perceba que, como já falei antes, quem ouve a música é o Sádico (e por tabela, o ouvinte). E um detalhe: ele ouve a música de um gramofone ali do lado direito da tela. Ou seja,  o gramofone é o vovô dos tocadores de música.

Numa cena como essa, talvez você imaginaria que tocaria uma música baseada em ruídos, comum nos filmes de terror, ou pelo menos cheia de dissonância.

Mas o compositor e o diretor do jogo, optaram por fazer algo completamente diferente. E por quê? Como falei mais cedo, a música tem muitas funções. Assim, nesse caso a função da música é descrever para o ouvinte a estado de espírito em que, ironicamente, o Sádico está.

Microsoft LATAMA cena pode parecer grotesca, mas o Sádico, naquele momento, está tranquilo, satisfeito e fazendo o que gosta: mutilando corpos. Ou seja, está feliz.

Dessa forma, é isso que deixa a escolha de Bach para essa cena algo grotesco. Ou seja, tocar uma música que remete a elevação espiritual numa cena cheia de sangue, corpos mutilados e um psicopata realizando o ato é, no mínimo, grotesco.

A utilização dessa peça também pode se tratar de uma ironia com o jogador. Logo, é algo do tipo: fique tranquilo, você está bem encrencado.

Na minha opinião, essa foi uma escolha simplesmente genial. Uma escolha que reflete um pensamento fora da caixa e um belo exemplo de que melodias e harmonias belíssimas podem ser grotescas, só depende da ocasião. Ou seja, mostra como Bach também é grotesco.

Então é isso galera, espero que tenham gostado. Se gostar, deixa o like e se inscreve no canal.

Um abraço e até mais!

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Felipe Grisi

Felipe "fGrisi" Grisi, músico, sound designer e gamer! Me adiciona na live e no Mixer (/FelipeGrisi) para trocarmos uma ideia!

One thought on “Como Bach é Grotesco

  • Leandro Rocha

    Gostei muito desse texto. E, sinceramente, as composicões de Bach são tão, Cósmicas, Universais, Divinas, que não me supreende elas combinarem com o Maravilhoso e com o Horroroso da vida…sabe, algo tipo assim “o lado positivo e o lado negativo da Vida”. Bem, é isso que eu acho… eu acho.

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