16 de junho de 2024
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Rambo: O Fim Que Não Precisava Ter

Revisitar velhas franquias é uma faca de dois gumes (não planejei esse trocadilho). Os resultados são os mais variáveis possíveis. Acertar ou errar dependem de uma série de decisões. Bem, Sylvester Stallone já vinha provando que sabia retomar seus personagens com dignidade.

Em Rocky Balboa (2006), ele soube dar o valor ao personagem, deixar o garanhão italiano sair com honra e, mais tarde, apadrinhar o filho de seu melhor amigo em uma franquia derivada, Creed. E mesmo em Rambo IV (2008), ele manteve o espírito dos filmes anteriores e deu um final coerente, fazendo o ex-boina verde voltar para sua casa e viver em paz.

Mas Sly queria mais. Tudo bem, contar outra história de Rambo é sempre legal. Se for boa. E Rambo-Até o Fim (2019) não teve essa sorte. Em minha opinião, haviam outras histórias que ele poderia contar. Tudo bem, a franquia sempre, na maioria dos filmes, dava a um rosto estrangeiro a face do antagonista. Russos, afegãos, birmaneses e agora, os mexicanos. Sim, sabemos que os cartéis do México são extremamente violentos, vemos a situação nos jornais todos os dias. Stallone pesquisou e quis mostrar algo da realidade. Normal.

Mas Rambo sempre foi uma crítica também ao modo de seu próprio país. Ao desrespeito para com os seus próprios soldados, os estranhos aliados que fazia… em tempos de extremistas indo às ruas, atiradores loucos que matam inocentes e se suicidam em seguida, se preferiu deixar de lado plots potenciais em favor de tratar os EUA como um lugar limpo e seguro, ao contrário de diretores como Spike Lee que, desde sempre, colocam como ninguém o dedo na ferida (como aliás, Sly fez nos dois primeiros filmes da série). Ok. Se a trama fosse boa, até daria um desconto.

Mas o plot não é nada original: o sequestro da jovem que ele criou quase como filha, nos moldes de Liam Neeson em Busca Implacável. O cinema se reinventou, evoluiu e acho que Rambo não precisaria ser um herói de nicho, datado. Sou fã de filmes de ação desde sempre, e tremendo fã do Rambo. Mas gostaria que o personagem fosse levado para um caminho no qual conquistasse novos fãs e, infelizmente, esse filme não conseguiu. Acho que nem teve essa preocupação.

Para não dizer que não há coisas boas no filme, o lado paternal, pacífico do personagem, pouco visto na franquia, ganha contornos legais aqui quando interage com as personagens de Adriana Barraza , Yvette Monreal e também com a Paz Vega (que eu não via desde Espanglês). Você realmente enxerga o que seria John Rambo se tivesse sido um pai de família. E existem, sim, referências sutis ao personagem ao longo da trama de 90 minutos (o mais curto da franquia até hoje). Mas se tirassem o nome Rambo do título, poderia ser qualquer filme passando batido, indo direto para o mercado DVD/BluRay.

Mesmo as cenas de ação são decepcionantes. Com o curto tempo, as cenas esperadas de ação se limitam ao clímax e não há tensão nenhuma. Não tenho problema algum com a violência, mas acredito que aqui ele está cada vez menos para o tático de guerra e mais carniceiro, algo já sinalizado no filme de 2008. É verdade que o ambiente é outro, o contexto até faz sentido. Mas a escala é bem menor, faltou o clima de guerra dentro de cidade que ele sabia impor.

Ao final, a mensagem que o filme deixou, ao menos na minha leitura, é que Rambo será sempre um personagem trágico, perseguido não apenas pelos muitos fantasmas do passado, mas por conflitos que sempre virão atrás dele para lhe tirar tudo. Ele nunca terá paz, não importa aonde vá. E nesses tempos, a redenção viria muito bem para alguém como ele. No fim, é uma despedida amarga, para ele e para nós.

PS: Agora. minha preocupação é que Stallone, recentemente, revelou que possui planos para um novo Rocky, do qual pouco se sabe, mas levará as lutas para outro país, Qual será, ainda não se sabe. Muito medo dele querer, quem sabe, reacender rivalidades com nações estrangeiras e usando disso pra fazer o estilo ufanista que não cabe mais.

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Mentorbreak

Sérgio "Mentorbreak" Fiore é revisor do Nós Nerds, porém não deixou sua paixão por blog e não conseguiu ficar longe das postagens.

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